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Quarta-feira, Julho 26, 2006

Cenário do VELHO TESTAMENTO - Introdução


Introdução

O mundo do Antigo Testamento apresenta-nos os povos que influenciaram a história de Israel durante o período do Antigo Testamento. Além disso, traz ao conhecimento daquele que estuda a Bíblia, acontecimentos da história de Israel e o significado destes à luz da revelação completa que Deus faz de si próprio na Bíblia.

O Antigo Testamento descreve um mundo que é, a um só tempo, semelhante e dessemelhante ao nosso. Por certo conservamos em comum com aquele mundo os elementos básicos da vida – nascimento, crescimento, morte, a família, a nação, o lavrador, o soldado, o magistrado, o professor, o médico, mas a falta de qualquer dos inventos mecânicos e elétricos com os quais nos acostumamos coloca o mundo do Antigo Testamento a uma grande distância do nosso.

À medida que estudamos os povos e os acontecimentos do Antigo Testamento, estamos mais bem preparados para julgar nossas próprias vidas e sociedades segundo os padrões da lei de Deus. Nosso estudo pode ajudar-nos, também, a ver a demonstração clara da obra poderosa de Deus na história, porque cada um dos povos que influenciaram a vida de Israel foi um ator no grande palco da civilização. Ao considerar o drama desses povos, podemos ver os intermináveis conflitos de feudos de sangue entre pequenos clãs polígamos, observar o desmoronamento de sociedades que se entregaram ao hedonismo desenfreado, e regozijar-nos com o triunfo eterno dos que foram fiéis a Deus quando não o era a vasta maioria da humanidade.

Além de todos os valores e lições que possam advir do conhecimento dessa história, os povos e os acontecimentos do Antigo Testamento apontaram para a vinda do Messias, Jesus Cristo, e para o seu cumprimento nele. O tema subjacente do Antigo Testamento – e também do Novo – é Criação-Queda-Redenção-Restauração. É na vida das pessoas e das nações que enchem as suas páginas que vemos este drama encaminhando-se para o seu cumprimento.

Nesta seqüências de artigos, o estudioso do Velho Testamento verá que esses povos realmente viveram as experiências registradas, as quais não foram criações literárias de algum escritor imaginativo. Quanto mais conhecermos esse mundo, tanto melhor compreenderemos os seus acontecimentos. Esperamos, também que nossa imaginação seja estimulada e nossos apetites despertados para estudar a Palavra de Deus e permitir que ela nos ilumine o coração.


O Mundo Antigo

A Bíblia nos proporciona informação confiável sobre povos, lugares e acontecimentos que outros livros antigos não mencionam. Ela fala até de reinos que desapareceram da face da terra. Em realidade, ela penetra uma época que muitos eruditos chamam de “pré-história”. Um simples exemplo sugerirá a grande extensão de tempo que a Bíblia cobre.

Digamos que um dia representa uma geração (cerca de 25 anos). Nessa base, a Segunda Guerra Mundial terminou anteontem, a Guerra Civil norte-americana foi travada faz apenas quatro dias, e os Estados Unidos declararam sua independência na semana passada! Nessa mesma base, Jesus nasceu em Belém há questão de três meses, e Moisés conduziu os israelitas para fora do Egito apenas dois meses antes disso. Os mais antigos livros do Oriente Próximo foram escritos há, mais ou menos, sete meses.

Tomando por base este calendário que só existe na imaginação, a história humana teria começado há uns dez meses, mais ou menos. E a Bíblia cobre todo esse período! Ela começa com Deus criando o mundo; conduz-nos através de muitos séculos de história antiga e clássica, e aponta-nos o fim dos tempos.

Este jogo de imaginação leva-nos a perceber nossa tendência de preocupar-nos excessivamente com os fatos correntes. A tecnologia moderna cegou-nos para as profundezas do passado. Mas as culturas antigas tiveram um senso altamente desenvolvido com respeito ao passado; elas respeitaram as muitas gerações que as precederam. Os sumérios, os egípcios e os babilônios freqüentemente ponderavam sobre o significado da história, e procuravam saber para onde ela se dirigia. Gostavam de preservar os processos antigos. Estudavam as línguas que já não eram faladas e praticavam ritos que já haviam perdido o significado. Tinham em alta estima cada estatueta e tijolo que seus antepassados fabricaram. Estimularam seus escribas a preservar palavras antigas que abrangiam quase todos os aspectos da vida.

Os escritores do Antigo Testamento viam a história como a fase na qual Deus estava revelando grandes propósitos em um drama mundial que agora se aproxima do clímax (“os últimos dias”). Assim, quiseram guardar um relato preciso do passado. Mas este senso de história perdeu-se com a queda de Roma e com a vinda da Idade Média. A sociedade Ocidental perdeu contato com sua herança. Com efeito, a arte e a literatura medievais tiveram de ilustrar as Escrituras com pessoas que usavam vestimentas medievais e moravam em castelos, porque ninguém sabia como realmente se vivia nos tempos bíblicos. Os artefatos do Egito, da Mesopotâmia e da costa da Palestina só foram descobertos e interpretados no decorrer dos últimos 150 anos. E mesmo agora, o mundo antigo é para nós um quebra-cabeças.

Durante a maior parte do tempo que passamos acordados, consideramos tão só o que nos está acontecendo no presente. Estamos inteiramente absorvidos no “agora”. É-nos excessivamente difícil colocar-nos no lugar dos que viveram no passado distante, totalmente fora de contato com nosso próprio estilo de vida.

Temos a tendência de interpretar mal as passagens bíblicas por supormos que os acontecimentos e as idéias que aparecem na Bíblia narram-nos tudo quanto há para se conhecer acerca dos tempos bíblicos. Não é bem assim. Para obtermos uma perspectiva adequada dos acontecimentos bíblicos, precisamos instruir-nos mais acerca dos anos em que a Bíblia foi escrita.

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