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Quinta-feira, Julho 27, 2006

O Período do Novo Testamento

CENÁRIO DO NOVO TESTAMENTO


O Período do Novo Testamento

Quatro capítulos mais adiante relatarão os fatos bíblicos da história do Novo Testamento (Jesus Cristo, Os Apóstolos, A Igreja Primitiva, e Paulo e Suas Viagens). Esta seção examinará a história política da era neotestamentária.

Os romanos permaneceram como governantes supremos da Palestina durante os tempos do Novo Testamento. A família de Herodes, juntamente com os procuradores romanos nomeados, governava sob a autoridade de Roma.

O Novo Testamento inicia-se com o nascimento de Jesus. Herodes o Grande era rei, mas seu governo aproximava-se do fim. Os últimos anos de seu reinado foram cheios de conspiração e contraconspiração enquanto os membros de sua família disputavam o poder. Pouco antes do nascimento de Cristo ele havia executado os dois filhos que tivera com Mariana. Outro filho, Antípatro, conspirou contra Herodes e foi executado apenas cinco dias antes da morte do pai, no ano 4 a.C. Para os romanos Herodes foi um rei vassalo digno de confiança e capaz, mas para os judeus ele foi um tirano egoísta.

Sucederam-no seus filhos. Arquelau (4 a.C. – 6 d.C.) governou na Judéia. O menos estimado dos filhos de Herodes, ele foi cruel e despótico. As queixas dos judeus contra ele finalmente o levaram ao exílio. Herodes Antipas (4 a.C. – 39 d.C.) foi nomeado tetrarca da Galiléia e da Peréia. Este orgulhoso e hábil governante foi menos brutal que Arquelau, mas assassinou João Batista que denunciara seu casamento com Herodias. Favorecido pelo imperador romano Tibério (14-37 d.C.), foi exilado no ano 39 d.C., por ordem de Calígula (37-41 d.C.).

Filipe (4 a.C. – 34 d.C.), terceiro filho de Herodes, foi tetrarca das regiões da Ituréia e Traconites (Lucas 3.1). Filipe parece ter sido um governante relativamente justo e benevolente. Sua capital era Cesaréia de Filipe (Mateus 16.13; Marcos 8.27), e as moedas que ele cunhou foram as primeiras moedas judaicas a trazer efígie humana (a de Augusto ou de Tibério). Morreu no ano 34 d.C. e seu território foi afinal acrescentado ao de Herodes Agripa I.

Após o exílio de Arquelau, sua tetrarquia (Judéia, Samaria e Iduméia) foi governada por procuradores romanos (6 – 41 d.C.). Quirino, governador da Síria, chegou à Judéia no ano 6 d.C. a fim de alistar o povo para efeitos de tributação. Este ato provocou os patriotas da Judéia, mas as autoridades judaicas os acalmaram por algum tempo. Contudo, Judas, o galileu, liderou o povo na revolta contra os romanos e contra Herodes. Logo foi morto (Atos 5.37) é possível que seus seguidores constituíssem o partido dos zelotes (Lucas 6.15; Atos 1.13).

Os procuradores da Judéia eram diretamente responsáveis perante Roma. Morando em Cesaréia, eles só vinham a Jerusalém em ocasiões especiais, como as festas anuais. Augusto dava aos seus procuradores prazos curtos, mas Tibério os deixava no cargo por mais tempo, para que o povo não fosse explorado com tanta freqüência pelos recém chegados. Pilatos foi o quinto procurador e também o mais conhecido por causa da crucificação de Jesus. Governante inflexível e severo, ele foi brutal para os judeus. Seu massacre sem justificativa dos adoradores samaritanos e outras execuções causaram-lhe a queda em 36 d.C.

Herodes Agripa I alcançou a proeminência em 37-44 d.C. e despojou os procuradores de seus poderes. Como herdeiro da família dos macabeus, ou asmoneus, e em virtude de sua observância da Lei, ele era estimado entre os fariseus. Esta estima ou popularidade era realçada por sua hostilidade aos cristãos (Atos 12). Morreu repentinamente no ano 44 d.C., e seu reino voltou a ser governado pelos procuradores. As condições pioraram sob os procuradores até que precipitaram a rebelião judaica contra o governo romano em 66-70 d.C.

Fadus (44-46 d.C.) cometeu o engano de reclamar a custódia das vestes dos sumos sacerdotes, o que resultou num breve levante. As vestes estiveram nas mãos dos romanos desde 6-36 d.C., mas haviam estado nas mãos dos judeus desde 36 d.C. até ao tempo de Fadus. Alexandre (46-48 d.C.) crucificou os dois filhos de Judas, o galileu, Tiago e Simão, por se haverem rebelado. Cumanus (48-52 d.C.) governou uma era até mais tumultuosa. Havendo um soldado romano feito um gesto indecente durante a Páscoa, irromperam levantes e diversas pessoas foram mortas. Noutra ocasião, um soldado fez em pedaços um rolo da Lei e Cumanus foi obrigado a executá-lo depois que uma multidão de judeus chegou a Cesaréia para protestar. Tais incidentes levaram-no, afinal, ao exílio.

Félix (52-60 d.C.) era francamente hostil aos judeus, e suas ações finalmente degeneraram em guerra. Suas drásticas providências para frear os zelotes, grupo de patriotas judeus favoráveis à guerra conta os romanos, não fizeram outra coisa senão aumentar a popularidade do grupo entre o povo. Foi dentre eles que surgiram os sicários, ou assassinos. Esses judeus fanáticos assassinaram muita gente, incluindo o sumo sacerdote Jônatas. O método de Félix de governar pelo terror e assassínio uniu os fanáticos com as massas e isto fez com que fosse chamado de volta a Roma.

Festo (60-62 d.C.) herdou uma situação descontrolada. Ele tentou pacificar o interior, a zona rural, mas o fervor dos fanáticos religiosos e políticos crescia. Festo morreu durante seu mandato, e em Jerusalém a anarquia predominou por completo. Foi nessa ocasião que mataram Tiago, irmão de Jesus. Levantaram-se sumos sacerdotes rivais, competindo pela autoridade; e seus adeptos travaram batalhas campais nas ruas. Quando Albino (62-64 d.C.) chegou a Jerusalém, deliberadamente agravou o problema para promover-se a si próprio em vez de tentar restaurar a ordem. Prendeu muitos , mas pôs em liberdade os que lhe dessem um suborno bastante grande.

Relata Josefo que seu sucessor, Floro (64-66 d.C.), era tão mau e violento que fazia Albino parecer um benfeitor público. Floro saqueava cidades inteiras. Permitia aos ladrões que pagassem suborno para o livre exercício de sua profissão. Por conseguinte, a nação judaica caiu numa situação intolerável. Desde 68 até 70 d.C. eles travaram uma guerra heróica que terminou em trágica derrota em 70 d.C., quando a cidade e o templo foram invadidos e destruídos.


A Vida de Jesus Cristo

O Novo Testamento conduz-nos ao clímax da obra redentora de Deus, porque nos apresenta o Messias, Jesus Cristo, e nos fala do começo da sua igreja. Os escritos de Mateus, Marcos, Lucas e João falam-nos do ministério de Jesus. Esses escritores foram testemunhas oculares da vida do Mestre, ou registraram o que testemunhas oculares lhes contaram, todavia não escreveram dele uma biografia completa. Tudo quando registraram, realmente aconteceu, porém concentraram-se no ministério de Jesus, e deixaram aqui e acolá algumas lacunas na história da vida do Divino Mestre.

Imaginemos alguém escrevendo uma carta a um amigo para apresentar-lhe uma pessoa importante. Estaria o autor da carta em condições de descrever tudo acerca da vida dessa pessoa? Claro que não. Ele só podia escrever acerca daquilo que conhecia – e provavelmente não tentaria, também, escrever tudo o que soubesse. Ele se concentraria no que, a seu ver, o amigo deseja e precisa conhecer.

Os homens que escreveram os Evangelhos fizeram a mesma coisa. Eles tinham em mira explicar a pessoa e a obra de Jesus, registrando o que ele fez e disse. E cada autor apresenta uma perspectiva ligeiramente diferente acerca de Jesus e de suas obras. Os autores dos Evangelhos não tentaram relatar todos os eventos da meninice de Jesus, porque não era esse o motivo de escreverem. Não procuravam dar-nos, tampouco, registro da vida cotidiana de Jesus. Eles se ativeram ao que é pertinente à salvação e ao discipulado.

Nesta seção seguiremos o exemplo dos Evangelistas. Simplesmente esboçaremos os principais acontecimentos da vida de Jesus e faremos um resumo de como ele levou ao clímax a história da redenção. Mais informação sobre a vida do Mestre o leitor encontrará no capítulo “Jesus Cristo”.

Muitos sabem algo a respeito do nascimento e da infância de Jesus Cristo. Por ocasião do Natal, ouvimos as alegres e tão conhecidas canções acerca da Virgem Maria (a mãe de Jesus), de sua viagem a Belém, decerto montada no lombo de um burro, e do nascimento do bebê Jesus Cristo – verdadeiro homem e verdadeiro Deus, que veio à terra para salvar o povo de Deus. Ouvimos a tão familiar história de como Jesus nasceu em Belém, da manjedoura em que ele estava deitado, e dos anjos que anunciaram que Jesus era o rei da descendência de Davi, de longa data esperado.

Os sábios (magos) que trouxeram presentes para o menino Jesus são figuras misteriosas. Não sabemos de que país (ou países) vieram; só sabemos que eram “do oriente” (Mateus 2.1). Bem podem ter vindo dos grandes impérios orientais da Mesopotâmia, Babilônia, ou Pérsia. Eles estudavam as estrelas e viram que nascia entre os judeus um novo rei, por isso vieram a Jerusalém, a capital judaica, para prestar as suas homenagens. Quão surpresos devem ter ficado ao saber que o rei Herodes não tinha novos filhos! Então seguiram uma clara profecia de Miquéias 5.2, que os levou a Belém onde encontraram o menino Jesus.

A Bíblia não diz que eram três os magos, mas os pintores geralmente têm retratado três para mostrar as três dádivas que trouxeram – ouro, incenso e mirra (Mateus 2.11). Evidentemente os magos vieram ver Jesus diversos meses depois do seu nascimento, e alguns estudiosos pensam que Jesus já devia estar com dois anos de idade.

Depois que Jesus nasceu, os pais o levaram ao templo em Jerusalém para ser consagrado (Lucas 2.22.28). Começaram a prepará-lo para viver “em graça, diante de Deus e dos homens” (Lucas 2.52).

O rei Herodes desejava assegurar-se de que as pessoas não se congregassem em torno do rei menino para dar início a uma rebelião, por isso ordenou aos seus soldados que matassem todos os meninos em Belém e dos arredores (Mateus 2.16). A família de Jesus fugiu para o Egito a fim de escapar ao perverso decreto. Morto Herodes, eles voltaram para a Palestina e se estabeleceram na cidade de Nazaré.

Nada mais diz a Bíblia acerca de Jesus até ele estar com doze ou treze anos. Então, para assumir seu próprio papel na congregação judaica, ele tinha de fazer uma visita especial a Jerusalém e oferecer sacrifício no templo. Enquanto estava ali, Jesus conversou com os dirigentes religiosos sobre a fé judaica. Ele revelou extraordinária compreensão do verdadeiro Deus, e suas respostas deixaram-nos admirados. Mais tarde, de volta para casa, os pais de Jesus notaram a sua ausência. Encontraram-no no templo, ainda conversando com os especialistas judaicos.

De novo, a Bíblia se cala até ao ponto em que nos apresenta os acontecimentos que deram início ao ministério de Jesus, tendo ele cerca de trinta anos. Primeiro vemos João Batista deixando o deserto e pregando nas cidades ao longo do rio Jordão, instando com o povo a que se preparasse para receber o Messias (Lucas 3.3-9). João nasceu no seio de uma família piedosa e cresceu para amar e servir fielmente a Deus. Deus falava por intermédio de João, e multidões acudiam para ouvi-lo pregar. Dizia-lhes que se voltassem para Deus e começassem a obedecer-lhe. Ao ver Jesus, ele anunciou que este homem era o “...Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (João 1.29). João batizou a Jesus; e ao sair Jesus da água, Deus enviou o Espírito Santo em forma de pomba, que pousou sobre ele.

O Espírito Santo guiou Jesus ao deserto, e aí ele permaneceu sem alimentar-se durante quarenta dias. Enquanto ele se encontrava nessa situação de enfraquecimento, o diabo veio e procurou tentá-lo de vários modos. Jesus recusou as propostas do diabo e ordenou que ele se retirasse. Então vieram anjos que o alimentarem e confortaram.

A princípio Jesus tinha a estima do povo. Na região do mar da Galiléia ele foi a uma festa de casamento e transformou água em vinho. Este foi o primeiro de seus milagres que a Bíblia menciona. Este milagre, da mesma forma que os últimos, demonstrou que ele era verdadeiramente Deus. Da Galiléia ele foi para Jerusalém onde expulsou do templo um grupo de religiosos vendedores ambulantes. Pela primeira vez ele asseverou de público sua autoridade sobre a vida religiosa do povo, o que fez que muitos dos dirigentes religiosos voltassem contra ele.

Um desses dirigentes, Nicodemos, viu que Jesus ensinava a verdade acerca de Deus. Certa noite ele foi ter com Jesus e lhe pergunto como poderia entrar no reino de Deus, que é o reino de redenção e salvação. Jesus disse a Nicodemos que ele devia “nascer de novo” (João 3.3); em outras palavras, ele tinha de tornar-se uma nova pessoa. Desta conversa de Jesus com Nicodemos aprendemos que o cristão é uma pessoa que “nasceu de novo”.

Quando João Batista começou a pregar e atrair grandes multidões na Judéia, Jesus voltou para a Galiléia. Aí ele operou muitos milagres e grandes multidões o cercavam. Infelizmente, as multidões estavam mais interessadas nos seus milagres do que nos seus ensinos.

Não obstante, Jesus continuou ensinando. Ele entrava nos lares, participava das festas públicas, e adorava com outros judeus em suas sinagogas. Denunciou os dirigentes religiosos do seu tempo porque exibiam uma fé hipócrita. Ele não rejeitou a religião formal deles; pelo contrário, Jesus respeitava o templo e a adoração que aí se prestava (cf. Mateus 5.17-18). Mas os fariseus e outros dirigentes não viram nele o Messias e não cuidaram de ser salvos do pecado. Além do mais, não satisfeitos com o que Deus lhes revelara no Antigo Testamento, continuaram fazendo-lhe acréscimo e revisando-o. Acreditavam que sua versão das Escrituras, examinada nos seus mínimos detalhes, dava-lhes a única religião verdadeira. Jesus chamou-os de volta às primitivas palavras de Deus. Ele era cuidadoso na sua forma de citar as Escrituras, e incitava seus seguidores a entendê-las melhor. Ensinava que o conhecimento básico das Escrituras mostraria que a vontade de Deus era que as pessoas fossem salvas mediante a fé nele.

Perto da Galiléia, Jesus operou seu mais surpreendente milagre até então. Tomou sete pães e dois peixes, abençoou-os e partiu-os em pedaços suficientes para alimentar quatro mil pessoas! Mas este milagre não atraiu mais gente à fé em Jesus; na verdade, as pessoas se retiraram porque não podiam imaginar por que e como ele queria que elas “comessem” seu corpo e “bebessem” seu sangue (João 6.52-66).

Os doze discípulos, porém, permaneceram fiéis, e ele começou a concentrar seus esforços em prepará-los. Cada vez mais ensinava-lhes acerca de sua futura morte e ressurreição, explicando-lhes que eles também sofreriam a morte se continuassem a segui-lo.

Essa atitude de Jesus o leva ao fim da sua vida na terra. Judas Iscariotes, um dos doze, traiu-o, entregando-o aos líderes de Jerusalém, que lhe eram hostis, e eles pregaram Jesus numa cruz de madeira entre criminosos comuns. Mas ele ressuscitou e apareceu a muitos de seus seguidores, exatamente como havia prometido, e deu instruções finais aos seus discípulos mais íntimos. Enquanto o observavam subir ao céu, apareceu um anjo e disse que eles os veriam voltar do mesmo modo. Em outras palavras, ele voltaria de modo visível e em seu corpo físico.


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